
Depressão: é normal com o envelhecimento?
6 de junho de 2024
Como o exercício físico e a alimentação com proteínas ajudam a prevenir a sarcopenia e a fragilidade no idoso.
2 de setembro de 2025A internação hospitalar é, muitas vezes, necessária para salvar vidas. No entanto, no caso do paciente idoso, ela pode representar muito mais do que a simples resolução de um problema agudo.
Internar um idoso é sempre um evento delicado — com riscos que vão além da doença em si, e consequências que podem comprometer sua autonomia, cognição e qualidade de vida de forma significativa e, por vezes, irreversível.
1. Por que a hospitalização impacta tanto o idoso?
O corpo do idoso já não possui a mesma reserva fisiológica de antes. Isso significa que qualquer evento estressor — como uma infecção, cirurgia ou imobilização prolongada — pode desencadear um efeito dominó, afetando músculos, memória, mobilidade e humor.
Além disso, o ambiente hospitalar costuma ser hostil ao envelhecimento: há privação de sono, alimentação inadequada, excesso de medicações, ruídos constantes, jejum prolongado e, não raro, ausência de familiar por perto. Todos esses fatores somados favorecem o surgimento de complicações evitáveis.
2. Complicações comuns em idosos hospitalizados
Algumas das complicações mais frequentes em idosos durante a internação incluem:
● Delirium (estado de confusão mental aguda)
● Perda funcional (passam a depender de ajuda para caminhar, tomar banho, vestir-se)
● Incontinência urinária adquirida
● Sarcopenia hospitalar (perda rápida de massa muscular)
● Infecções hospitalares
● Úlceras por pressão (feridas pelo tempo em repouso)
● Declínio cognitivo e emocional após a alta
Estudos mostram que mais de 30% dos idosos internados por 5 dias ou mais saem do hospital com um nível de dependência maior do que quando entraram — mesmo que a causa inicial da internação tenha sido resolvida.
3. O risco da "cascata geriátrica"
Na geriatria, chamamos de cascata geriátrica a sequência de eventos em que um único problema (como uma infecção ou queda) leva a uma série de complicações que se somam rapidamente: imobilidade, perda de autonomia, delírio, depressão, re-internações e, por fim, institucionalização.
A boa notícia? Em muitos casos, essa cascata pode ser evitada com um plano de cuidado centrado na pessoa, conduzido por um geriatra.
4. O papel do geriatra na prevenção e no pós-internação
O geriatra tem uma atuação fundamental tanto para evitar internações desnecessárias quanto para conduzir um plano de cuidados para reabilitação e recuperação funcional após a alta.
Com um olhar integral, o geriatra identifica sinais precoces de descompensações, orienta familiares, coordena medicações e propõe estratégias para manter o idoso ativo e bem acompanhado em casa — o que, muitas vezes, evita a necessidade de hospitalizações.
E quando a internação é inevitável, o acompanhamento próximo, inclusive durante o período hospitalar, ajuda a reduzir riscos e acelerar a retomada da rotina.
Conclusão
Internar um idoso não é um evento trivial. É uma situação que exige cuidado, estratégia e conhecimento específico.
Por isso, contar com o acompanhamento de um geriatra de confiança pode fazer toda a diferença — antes, durante e depois de uma hospitalização.
"Mais importante do que tratar doenças é preservar a pessoa por trás delas."
— Dra. Andresa Lima, Geriatra




